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Pequeno Manual da Traição. Como, quando, onde? Vou contar das coisas que eu já ouvi falar, embora eu nada possa provar, de pessoas que já sofreram ou até mesmo se envaideceram e resolveram me contar

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Artigo "Pequeno Manual da Traição. Como, quando, onde?", por Jussara Hadadd. Imagem ilustrativa

As oportunidades para a covardia que justifica a “felicidade” fora da união estável, hoje em dia, são muito mais bem elaboradas. São verdadeiros “experts” da enganação que vivem de se enganar, em enredos próprios e nos quais, só eles mesmos acreditam que são o poder acima de qualquer suspeita.

Vou contar das coisas que eu já ouvi falar, embora eu nada possa provar, de pessoas que já sofreram ou até mesmo se envaideceram e resolveram me contar.

Em congressos, feiras e viagens justificadas em especialização profissional. Existem hoje em dia, empresas especializadas em auxiliar a pessoa que deseja uma lua de mel extraconjugal e inventa uma viagem dessas. Uma semana de puro êxtase. Quem fica em casa pode ligar para o hotel, confirmar o cronograma do evento e até voos do que foi viajar, porque terá uma lista com números de confirmação disponibilizada pelo cônjuge atencioso e fiel. Empresas especializadas em ajudar o traidor a trair. Tem o programa do evento impresso, páginas na internet, telefonistas. Pasmem, mas está anunciado na internet.

Os hospitais são um fenômeno de possibilidades. Plantonistas trocam plantão com colegas para passar a noite inteira com o amante. Barba, cabelo e bigode, para quem só tinha direito a uma fugidinha vespertina no motel da esquina. Dormir juntinho, tomar café de manhã, brincar de casinha e de amor, enquanto o cônjuge que ficou em casa se lasca todo tomando conta das crianças e morrendo de pena do coitadinho que vai passar a noite toda na labuta.

Nas escadarias que dão para a casa de máquinas, profissionais caridosas pegas em pleno exercício do sexo oral no seu superior que pode significar uma ascensão mais rápida ou a diminuição da carga horária, ou nada disso graças a Deus, dando a ela o status de esposa e rainha do lar.

Em uma banheira de queimados, jogando com a sorte para que não chegue um acidentado e não estrague a brincadeira ousada e deliciosa, que veio para quebrar a rotina maçante de um pronto socorro.

Em uma sala de diretoria, onde a recepcionista ambiciosa e esperta detecta a carência afetiva do chefe desamparado e vai todos os dias oferecer ajuda carinho e amizade, até que a porta seja trancada a pretexto de um trabalho sério que não pode ser interrompido.

Em escritórios, nos arquivos, nos trabalhos onde a busca interminável por documentos oferece tempo e lugar para as relações excitantes e que propõe suportar melhor a rotina doméstica, inevitável ao final do dia. Uma rapidinha e cada um na sua. Serão no trabalho, é das mais antigas.

Em uma missão relâmpago, onde o chefe designou que fosse feito um reconhecimento de valor para um novo negócio em outra cidade ou outro país e o funcionário prestativo, coitado, terá de passar quatros sofridos dias, incluindo final de semana, fora de casa e longe da família. Claro que em prazerosa companhia. O perigo é quando o outro está pedindo a Deus para que você vá, mesmo que seja para isto.

Enquanto o seu companheiro bate o pé e não te acompanha de jeito nenhum em nenhum programa que você gosta de fazer. Quanto tempo se gasta em um shopping, uma praia, um cinema, uma visita a um amigo? Escapadela inteligente.

Uma saidinha com a turma, para um chopinho após um dia exaustivo de curso ou trabalho intenso “para melhorar o cargo e o salário, meu bem”, até a hora limite de voltar para casa, pode render momentos de muito carinho e fantasia.

Em cidades muito grandes, com trânsito tumultuado, perfeito álibi para sair mais cedo do trabalho e chegar mais tarde em casa. Isso pode levar até quatro horas infernais e dá o direito de chegar nervoso e tudo mais.

De manhã. De manhã é perfeito. Profissionais com um pouquinho de autonomia e responsabilidade que exige a presença em uma reunião matinal, daquelas que nunca terminam, estão com a faca e o queijo na mão. Uma manhã inteira de deleite e melhor, dá para sair de casa prontinha para amar.

Para os que trabalham fora da base, qualquer desculpa é desculpa. Um período inteiro do mais intenso prazer. Representantes, entregadores, fiscais.

Os cursos de pós-graduação de final de semana. Estes também são campeões. Dá para fazer até uma viagenzinha romântica pelas redondezas. Ir mais longe, almoçar, passar a tarde relaxando em um chalé romântico.

Nas festinhas de empresa onde a família não é convidada de noite? Programa de primeira. Nossa que “mamata”. Hora para chegar ao evento e não deixar o chefe aborrecido e sem hora para sair, pelo mesmo motivo. Você esteve na festa mesmo?

Agora o campeão mesmo é o casal onde um dos dois trabalha em outra cidade e só volta pra casa no final de semana. Depois que o valor dessa distância é esquecido e a tal da saudade que faz tudo rolar da melhor maneira possível passa, como em qualquer relação estável, os dois podem nadar de braçada e fortalecer o corpo e o espírito, para a obrigação que o fim de semana promete fazer cumprir.

Já sei. Vocês estão chocados. Pois é, mas querendo ou não esta é uma realidade muito mais próxima do que se pode imaginar. Tenho muitas outras histórias para contar. Escabrosas, vergonhosamente inteligentes ou exatamente o oposto, um vexame conquistado a dedo. Casos e mais casos que depois vou contando aos poucos.

A dica para fazer com inteligência, pelo que me contaram algumas pessoas é, ao contrário de falar pouco, estar sempre cansado e indisposto, estar sempre bem disposto, alegre, satisfeito e carinhoso em casa. Dividir tudo direitinho pode evitar muitos aborrecimentos. Quanto mais se tenta negar ou justificar, mais fácil fica para outra parte desconfiar e o seu brinquedinho quebrar.

Na ilusão do poder ser e do merecer ter, a insensatez induz ao amor necessário além do necessário. E as pessoas seguem criando caminhos novos e estimulantes, rumo a se perderem e perderem tudo o que sonharam ter um dia de verdade. Os casais estão se perdendo por pura leviandade.

Agora, o bacana mesmo, é não precisar de nada disso. Uma mente criativa é a que se revela competente dentro do contexto onde é “obrigado” a viver. O porquê, não estava em questão, mas é sempre bom lembrar uma coisinha que a vó da gente dizia.

A ocasião faz o ladrão.

Este artigo também é publicado no PORTAL ACESSA.COM

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