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Por você vou roubar os anéis de saturno

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Não romantizem ciúme excessivo. Artigo "Por você vou roubar os anéis de saturno", por Jussara Hadadd

Um “auê”, como diz Rita Lee, é o que acontece quando um ataque de ciúmes rouba a cena toda de um dia que podia ter passado em paz, de uma festa que podia ter rolado só na alegria, de uma viagem juntos que podia ter entrado pra história na vida de um casal que resolve compartilhar a vida.

Ciúmes, gente! Imaginação a todo vapor numa viagem em ideias ultra complexas onde quem está embarcado nessa sofre muito e incomoda muito quem não pegou carona na a mesma nave.

A meninada que ainda não aprendeu a dividir o brinquedo com o coleguinha, passa muito mal imaginando, sofre mesmo fantasiando e até sonha com o brinquedo sendo tirado de si ou com a mãe sentada a sua frente tentando ensinar: “Amor da mamãe, é tão lindo dividir, deixa o amiguinho brincar um pouquinho também”.

E é assim mesmo que se sentem os ciumentos, sendo ameaçados a terem que dividir o seu brinquedinho com outra pessoa. Sim, eu disse brinquedinho. Porque é o que parece ser para o possessivo alguém que ele chama de amor. Não é bonito e nem confortável conviver com um ciumento.

A diferença entre ciumento e inseguro? Nenhuma. Ambos acreditam piamente que não merecem, porque não têm direito mesmo a estar vivendo com alguém que ele julga tão especial, bem mais que ele. E, nem suspeita que esse alguém possa achá-lo também muito especial. Empobrecido em sua autoestima, sempre suspeita que o seu “grande amor” está ali dividindo uma vida com ele por vários tipos de interesses, menos por amá-lo e normalmente pensa: “Passo cola pra ele na faculdade. Convido ele pra ir na piscina da minha casa. Meu pai é rico e pode cuidar do futuro dele. É golpe do baú, só pode ser. Quer uma promoção. Tem pena de mim. E tantas outras suposições infundadas.”

E não adianta ser o mais rico, o mais inteligente ou o mais sei lá o que. A verdade é que quem não gosta de si mesmo, não acredita que outro possa gostar. E o que isso tem a ver com a possessividade? Tudo. Vamos raciocinar juntos. E se meu pai nunca mais me der outro brinquedo? E se eu ficar sem nenhum? E se eu nunca mais arranjar alguém assim, tão especial e que goste de ficar comigo? E se ela descobrir mais qualidades nele? Vou reter! Coisa de criança!

Tem hipótese pior: “Aha! Ela não era tão perfeita assim! Mentirosa, traidora.” E o seu brinquedo, “ops” o seu amor passa a ser a pior pessoa que você conheceu na vida.

E tenho visto gente da velha guarda – golden times – se comportando dessa maneira. Estarrecedor. Mulheres do início do século XX fazendo cenas de ciúmes com seus parceiros em praça pública. Por pouco se vê a bengala arrebentar a cabeça do coitado.  Homens calejados pela vida, tidos como inteligentes e equilibrados causando mal-estar geral, deixando o sangue subir à cabeça e quase mesmo formar um chifre lá em cima por causa de ciúmes, quando é hora de viver sossegado, gargalhando sobre a vida e agradecendo a Deus a graça de ainda estar vivendo em amor com alguém saudável ao seu lado.

Se você se uniu a um poderoso, rico, apresentável, bonito, radiante, vivaz e você não se acha muito merecedor dessa benção em sua vida, se trate, busque uma terapia e tente parar de viver seus dias pensando que vai ser traído de alguma forma, que alguém vai tirar a sua joia de você. Isso é muito chato pra quem está no alvo.

E já que estendemos um pouquinho, fica aqui a observação de que tem sim um ciúme com razão, contudo é importante que se tenha a certeza explícita de que está sendo vítima de traição e nesse caso o sentimento tem que passar rápido de ciúme para a raiva, a dor e a urgente providência em se livrar do mal caráter que está te desmerecendo.

 

Falei.

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